O Rock'n Roll em minha vida
No dia 13 de julho comemora-se o Dia Mundial do Rock. Uma data pouco importante, imagino eu, mas houve uma época da minha vida em que o Rock representou muito mais do que um simples gosto musical.
O Rock começou a entrar lentamente em minha vida no ano de 1993. Na época, eu cursava a oitava série, era muito tímida e tinha poucos amigos. Minha maneira de se vestir também não ajudava muito: estava sempre de camiseta larga (com as mangas dobradas), um crucifixo pendurado no pescoço e, na maioria dos dias, usava preto.
Mas nos anos seguintes, gostar de Rock foi tornando minha vida cada vez mais interessante.
Em 1994, mudei para uma escola do ABC em que coincidentemente a maior parte dos alunos era roqueira. Nos intervalos, sempre via-se cartazes colados nas paredes falando sobre concursos de bandas de garagem, e em qualquer festa que a escola promovesse, havia bandas de rock como atração - quase todas formadas por alunos da noite. Eu, mesmo estudando no período da manhã, já sentia que o Rock fazia grande impacto por ali. Um exemplo disso foi o dia em que Kurt Cobain faleceu, em abril daquele ano: a escola parecia estar de luto.
Na sala de aula, eu tinha uma melhor amiga, a Aline. Nos finais de semana, costumava deixar meu tumultuado lar para dormir em sua casa. Nosso principal passatempo era ouvir Rock até de madrugada. As músicas que mais gostávamos na época eram Crazy, do Aerosmith, e Mr. Jones, do Counting Cross. Também gostávamos de conversar sobre o futuro. Nosso sonho de consumo, na época, era ganhar uma bolsa de estudo do Colégio Singular, da Rua Alvares de Azevedo. Por isso, entre um Rock'n Roll e outro, resolvíamos alguns problemas de matemática...
Mas foi no ano seguinte, em 1995, que posso dizer que o Rock realmente passou a fazer parte da minha vida.
Na escola, meu círculo de amizade era formado pela Mônica, Mara, Melissa, Renata e Adriana Mistro. Todas roqueiras! - com exceção da Renata, se me lembro bem. Coincidência ou não, éramos alunas muito aplicadas (pelo menos a maioria de nós). Cursávamos o segundo colegial, e entre uma matéria e outra, falávamos sobre nossas bandas favoritas, o que sem dúvida deixavam nossas aulas muito mais divertidas.
E como eram gostosas aquelas horinhas que eu passava na escola! Ali era meu refúgio...Para entender o porquê disso, basta saber como era a minha rotina naquela época:
De manhã ia para a escola e estudava até às 12:00. Em seguida corria para casa, pois precisava almoçar bem depressa para estar às 13:30 no trabalho - de onde nunca saía antes das 22:00. Chegava em casa por volta das 22:30 e ainda fazia algum dever de casa antes de dormir. Aos sábados, a jornada era das 10:00 às 20:00 (mas eu raramente saía antes das 22:00). Dois sábados por mês eu entrava às 8:00 e saía às 18.00, sem horário de almoço (tínhamos apenas 15' para comer um lanche), mesmo assim eram os meus sábados favoritos, pois sobrava tempo para sair com as amigas depois do expediente (mas como eu tinha só 16 anos, os passeios se limitavam a lanchonetes). Quase todos os domingos, eu passava na casa da minha prima Nadja (outro refúgio). Com ela também ouvia Rock e falava sobre sonhos e decepções da atualidade. Em outros domingos, ia com minha mãe para a casa da tia Angelita, onde eu eventualmente me divertia com os amigos da vizinhança Djinane e Daniel. Antes das 19:00, já estávamos em casa, para assim dar tempo de descansar um pouco e pensar no dia seguinte, quando tudo, sem piedade, começaria outra vez...
Acho que 1995 foi um dos anos mais difíceis da minha vida. Mas também penso que teria sido muito pior se não houvesse o Rock para me distrair, para ser assunto principal na escola e para ocultar as decepções do dia a dia. Tenho certeza de que bandas como Ramones, Smiths, U2, Cure, Pearl Jam, Van Hallen e tantas outras colaboraram muito para que 1995 não fosse um ano tão ruim. Muito mais do que isso, essas bandas me traziam a noção de que lá fora havia um mundo muito maior do que aquele que eu conhecia. E que além de maior, podia ser também infinitamente melhor do que o meu mundo (que era um pouco frustante para mim naquela época). O principal de tudo é que, não só tive a consciência de que havia um mundo melhor, como também passei a lutar por ele. Lutar por um mundo que, quem sabe um dia, eu pudesse fazer parte dele...
Observações:
Em 1995 eu queria uma guitarra de presente, mas ao invés disso, ganhei um secador de cabelo. Tudo bem...
No Dia Mundial do Rock de 1995, minhas amigas e eu compramos caixas do chocolate Rocky e distribuimos na sala de aula, enquanto dizíamos: Feliz Dia do Rock! Também fiz isso no trabalho.
Em 1995 eu queria uma guitarra de presente, mas ao invés disso, ganhei um secador de cabelo. Tudo bem...
No Dia Mundial do Rock de 1995, minhas amigas e eu compramos caixas do chocolate Rocky e distribuimos na sala de aula, enquanto dizíamos: Feliz Dia do Rock! Também fiz isso no trabalho.
Hoje o Rock não é mais meu estilo favorito. Está apenas entre outros que também escuto. Afinal, quem é que não muda com o tempo?


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