Dicas para viajar de avião com crianças
Não é fácil viajar com crianças. Agora, imagine, sozinha com um bebê de colo e uma criança de 03 anos e meio numa viagem de 14 horas...Pois é, esta ideia assustava a mim também. Mas graças à vontade de tirar férias antecipadas, ao apoio do marido e ao encorajamento de amigas queridas, resolvi arriscar e partir da Suécia para o Brasil com a minha prole.
O que escrevi abaixo são algumas dicas, frutos das experiências que adquiri nessa fantástica aventura!
Uma criança de colo, outra pequena, uma mala, uma bolsa de mão, os passaportes e muita atenção. Como assim?
O que escrevi abaixo são algumas dicas, frutos das experiências que adquiri nessa fantástica aventura!
Uma criança de colo, outra pequena, uma mala, uma bolsa de mão, os passaportes e muita atenção. Como assim?
Achei que não conseguiria, mas depois vi que tudo era uma questão de organização. O que fiz foi o seguinte:
Manuela, a bebê de colo, pus no canguru - o que facilitou e muito, pois deixou minhas mãos livres para segurar a mãozinha da Isabela e também para abrir e fechar minha bolsa à tira-colo, onde estavam os passaportes e cartões de embarque;
Isabela, minha mocinha de quase 04 aninhos, levou sua própria mala e sua mochila. Em sua mala, continha tudo o que precisávamos dentro do avião, e em sua mochila, havia seu tablet e brinquedos da irmãzinha.
Voo curto, viagem longa...
O primeiro voo que pegamos foi de Estocolmo para Paris. Acho este voo difícil porque lá sou obrigada a ficar com a Manuela (de 07 meses) no colo durante às 2h30' de voo, pois crianças com menos de 02 anos não têm direito a um assento. Além disso, não há o bercinho que são disponibilizados nos voos mais longos, como no de Paris a São Paulo, por exemplo. Portanto, o voo era curto, mas parecia uma looonga viagem. A sensação era de imobilidade - nem pensava em me levantar. Isabela estava no banco da janela e eu no do meio com a bebê no colo, ou seja, se eu precisasse me levantar, teria de pedir para a pessoa da cadeira ao lado sair, levantar-me com Manuela no colo e deixar Isabela, pois seria muito complicado sair com as duas, a menos que fosse para desembarcar...
Mas notei que além de desconfortável, a viagem também pode ser estressante. Sei disso porque vi pessoas com crianças que não paravam de chorar. Provavelmente estavam com fome, com alguma dor ou simplesmente entediadas.
Na minha viagem não houve estresse (ainda bem), mas talvez tenha sido em razão de eu ter tomado algumas medidas antes de embarcar...
Preparo antes do embarque
Para que a viagem seja tranquila, são necessários alguns preparos. No meu caso, cuidei para que as crianças estivessem da seguinte maneira, antes de entrarmos no avião:
De bexiga vazia - ou trocada, no caso da bebê. Ir ao banheiro e ao trocador foram as últimas coisas que fiz antes de passar pelo raio-x, mas também há toilettes próximos aos portões de embarque, ou seja, ainda existe uma última oportunidade de não ter de ir ao banheiro do avião.
Alimentadas - não é bom contar apenas com a comida do avião, que pode chegar num momento em que elas estejam dormindo. Além disso, para as mães de crianças que mamam na mamadeira, deve ser bem difícil preparar o leite com o bebê no colo. No meu caso, Manuela ainda mamava no peito, o que tornou a viagem bem mais fácil (apenas levei meu poncho). E para Isabela, solicitei comida infantil - atenção, fiz isso 48 horas antes do embarque. É uma ótima opção, pois além de a comida ser diferenciada (mais atrativa para crianças), ela chegou antes da minha, o que me permitiu ajudá-la e depois comer a minha refeição sossegada...
Com um ou mais objetos de entretenimento - no caso da Isabela, foi super importante ela ter levado sua mochilinha com seu tablet. Durante toda a viagem, ela manteve-se entretida e só o guardou quando quis dormir. Já Manuela, brincou bem pouco com alguns brinquedinhos, que levamos na mochila da irmã. Ela não ficou entretida por muito tempo, por isso o bom mesmo é que os bebês durmam bastante...Para a minha sorte, ela dormiu a maior parte do tempo de voo.
De preferência com sono - só é bom mesmo no caso de bebês de colo. Para crianças maiores, como a Isabela, pode ser um obstáculo se estiverem dormindo na hora do desembarque. Isto quase aconteceu comigo...Consegui acordar Isabela poucos minutos antes de descermos do avião. Ela tem o sono pesado, e eu já estava ficando desesperada, afinal de contas, como é que eu ia descer do avião com ela dormindo? Já aviso que não adiantou pedir ajuda à comissária de bordo. Meu marido havia lido no próprio site da Air France que eles poderiam disponibilizar alguns carrinhos que auxiliam pessoas idosas ou com crianças de colo na hora da conexão. Entretanto, ao mencionar isso para a aeromoça, ela disse que desconhecia a informação e que não podia fazer nada. (Na verdade, foi até um pouco rude, no momento em que suspendeu os ombros demonstrando total descaso ao meu questionamento).
Com um remédio para dor e febre na bolsa - só por precaução, levei um Alivium.
Mas notei que além de desconfortável, a viagem também pode ser estressante. Sei disso porque vi pessoas com crianças que não paravam de chorar. Provavelmente estavam com fome, com alguma dor ou simplesmente entediadas.
Na minha viagem não houve estresse (ainda bem), mas talvez tenha sido em razão de eu ter tomado algumas medidas antes de embarcar...
Preparo antes do embarque
Para que a viagem seja tranquila, são necessários alguns preparos. No meu caso, cuidei para que as crianças estivessem da seguinte maneira, antes de entrarmos no avião:
De bexiga vazia - ou trocada, no caso da bebê. Ir ao banheiro e ao trocador foram as últimas coisas que fiz antes de passar pelo raio-x, mas também há toilettes próximos aos portões de embarque, ou seja, ainda existe uma última oportunidade de não ter de ir ao banheiro do avião.
Alimentadas - não é bom contar apenas com a comida do avião, que pode chegar num momento em que elas estejam dormindo. Além disso, para as mães de crianças que mamam na mamadeira, deve ser bem difícil preparar o leite com o bebê no colo. No meu caso, Manuela ainda mamava no peito, o que tornou a viagem bem mais fácil (apenas levei meu poncho). E para Isabela, solicitei comida infantil - atenção, fiz isso 48 horas antes do embarque. É uma ótima opção, pois além de a comida ser diferenciada (mais atrativa para crianças), ela chegou antes da minha, o que me permitiu ajudá-la e depois comer a minha refeição sossegada...
Com um ou mais objetos de entretenimento - no caso da Isabela, foi super importante ela ter levado sua mochilinha com seu tablet. Durante toda a viagem, ela manteve-se entretida e só o guardou quando quis dormir. Já Manuela, brincou bem pouco com alguns brinquedinhos, que levamos na mochila da irmã. Ela não ficou entretida por muito tempo, por isso o bom mesmo é que os bebês durmam bastante...Para a minha sorte, ela dormiu a maior parte do tempo de voo.
De preferência com sono - só é bom mesmo no caso de bebês de colo. Para crianças maiores, como a Isabela, pode ser um obstáculo se estiverem dormindo na hora do desembarque. Isto quase aconteceu comigo...Consegui acordar Isabela poucos minutos antes de descermos do avião. Ela tem o sono pesado, e eu já estava ficando desesperada, afinal de contas, como é que eu ia descer do avião com ela dormindo? Já aviso que não adiantou pedir ajuda à comissária de bordo. Meu marido havia lido no próprio site da Air France que eles poderiam disponibilizar alguns carrinhos que auxiliam pessoas idosas ou com crianças de colo na hora da conexão. Entretanto, ao mencionar isso para a aeromoça, ela disse que desconhecia a informação e que não podia fazer nada. (Na verdade, foi até um pouco rude, no momento em que suspendeu os ombros demonstrando total descaso ao meu questionamento).
Com um remédio para dor e febre na bolsa - só por precaução, levei um Alivium.
Viagem longa, voo curto
O voo de Paris a São Paulo foi muito mais agradável! Apesar de a viagem ser mais longa, o tempo passou bem depressa e não exigiu quase preparo nenhum. Os principais motivos foram estes:
O voo era noturno, então dormimos a maioria do tempo;
Havia um bercinho para a Manuela, o que me permitiu descansar um pouco - mas atenção para um detalhe, sempre que viajar com crianças com menos de 02 anos (infante), devemos providenciar o assento adequado já no ato da reserva. Este assento é aquele com espaço para o berço, sem cadeiras à frente, o que também nos permite uma perfeita mobilidade, sem ter de pedir licença a ninguém na hora de levantar;
Os comissários eram simpáticos;
Assim como no voo anterior, a comida da Isabela veio antes da minha, então nossas refeições foram bem tranquilas.
Havia entretenimento suficiente para as duas crianças - além do que levamos, também tem a televisão.
E o principal: brasileiros solícitos no avião - Ir ou levar as crianças ao banheiro foi muito fácil nessa viagem mais longa, já que pude contar com o auxílio de uma catarinense que sentou-se ao lado da Isabela. Logo que nos viu chegar, ela já se ofereceu para tirar os sapatos da Isabela e me avisou que eu poderia contar com ela durante toda a viagem! Não é o máximo encontrar pessoas assim?!
Por causa destes detalhes, minha viagem de Paris a São Paulo foi sensacional! Quando acordamos, já era quase hora de desembarcar. O tempo passou bem rápido, dando a sensação de ter sido um voo curtinho, curtinho...
Hora de pegar as malas, e agora?
Nunca vou me esquecer do momento em que desembarquei no Aeroporto de Guarulhos, naquele quase fim de 2013. A primeira coisa que me chamou a atenção foi a alegria dos funcionários do aeroporto. Como foi gostoso ouvir aquelas vozes, rindo e conversando em português, que logo desviaram seus olhares sorridentes para a Isabela, que carregava sua malinha e mochila nas costas. As moças diziam: "Olha que linda!". O mesmo acontecia com os passageiros do meu voo, que passavam por nós. Todos olhavam para a Isabela e sorriam, e as mulheres sempre diziam alguma coisa, como: "Olha que gracinha!".
Mas o melhor momento foi quando cheguei à esteira para pegar minha mala e o carrinho de bebê. Nunca imaginei que encontraria pessoas tão atenciosas e prestativas!
Um senhor já foi logo dizendo: "Me avisa quando sua mala chegar que eu pego". Quando chegou, ele a colocou no carrinho para mim e perguntou: "Tem mais alguma?" Eu disse que só faltava o carrinho de bebê. Um outro rapaz que estava ao lado falou: "Pode deixar que a gente pega". E ainda, depois de estar com as bagagens no carrinho, pronta para ir embora, uma moça me disse: "Vou chamar alguém para te ajudar na saída". Eu falei que não precisava, que já estava bem fácil para mim. Mas um senhor que estava com ela, falou: "Pode deixar que a gente leva seu carrinho até próximo da saída, pelo menos ajudamos você a passar pela multidão". Eu não sabia como agradecer àquelas pessoas, e notei logo de cara que eu realmente havia me esquecido do quanto o nosso povo brasileiro é solícito.
Ainda hoje, quando penso naqueles momentos, demoro para compreender que, aquelas pessoas, alegres e prestativas, são as mesmas que sofrem todos os dias com a corrupção de seu país, com a violência, com a impunidade e com a injustiça. E que muitas outras, que não estavam ali, sofrem com problemas adicionais aos que mencionei, como pobreza, transporte público ruim, falta de saúde e educação, e que, mesmo assim, também permanecem alegres. Acho que nós, brasileiros, somos um povo único, temos algo muito especial, temos algo que pode até ser inexplicável, mas que sempre justificará o nosso amor pelo Brasil - ainda com todos os problemas que ele possa ter...
Por causa destes detalhes, minha viagem de Paris a São Paulo foi sensacional! Quando acordamos, já era quase hora de desembarcar. O tempo passou bem rápido, dando a sensação de ter sido um voo curtinho, curtinho...
Hora de pegar as malas, e agora?
Nunca vou me esquecer do momento em que desembarquei no Aeroporto de Guarulhos, naquele quase fim de 2013. A primeira coisa que me chamou a atenção foi a alegria dos funcionários do aeroporto. Como foi gostoso ouvir aquelas vozes, rindo e conversando em português, que logo desviaram seus olhares sorridentes para a Isabela, que carregava sua malinha e mochila nas costas. As moças diziam: "Olha que linda!". O mesmo acontecia com os passageiros do meu voo, que passavam por nós. Todos olhavam para a Isabela e sorriam, e as mulheres sempre diziam alguma coisa, como: "Olha que gracinha!".
Mas o melhor momento foi quando cheguei à esteira para pegar minha mala e o carrinho de bebê. Nunca imaginei que encontraria pessoas tão atenciosas e prestativas!
Um senhor já foi logo dizendo: "Me avisa quando sua mala chegar que eu pego". Quando chegou, ele a colocou no carrinho para mim e perguntou: "Tem mais alguma?" Eu disse que só faltava o carrinho de bebê. Um outro rapaz que estava ao lado falou: "Pode deixar que a gente pega". E ainda, depois de estar com as bagagens no carrinho, pronta para ir embora, uma moça me disse: "Vou chamar alguém para te ajudar na saída". Eu falei que não precisava, que já estava bem fácil para mim. Mas um senhor que estava com ela, falou: "Pode deixar que a gente leva seu carrinho até próximo da saída, pelo menos ajudamos você a passar pela multidão". Eu não sabia como agradecer àquelas pessoas, e notei logo de cara que eu realmente havia me esquecido do quanto o nosso povo brasileiro é solícito.
Ainda hoje, quando penso naqueles momentos, demoro para compreender que, aquelas pessoas, alegres e prestativas, são as mesmas que sofrem todos os dias com a corrupção de seu país, com a violência, com a impunidade e com a injustiça. E que muitas outras, que não estavam ali, sofrem com problemas adicionais aos que mencionei, como pobreza, transporte público ruim, falta de saúde e educação, e que, mesmo assim, também permanecem alegres. Acho que nós, brasileiros, somos um povo único, temos algo muito especial, temos algo que pode até ser inexplicável, mas que sempre justificará o nosso amor pelo Brasil - ainda com todos os problemas que ele possa ter...

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